A Mão e a Luva (Machado de Assis) – Resenha

a_mao_e_a_luvaMachado de Assis assume um estilo romancista em seu segundo livro intitulado “A Mão e a Luva”, despreocupado com as modas literárias de sua época, o escritor pincela uma trama amorosa entre uma mulher de personalidade forte, e três pretendentes ao casamento. Percebe-se com jogos de palavras e uma narração bem discreta, uma aproximação entre o autor e o leitor, deixando claro que este romance trata de um folhetim de jornal, publicado com um subtítulo “Um perfil de Mulher”, publicado cerca de vinte folhetins, nos rodapés de O Globo, jornal dirigido por Quintino Bocaiúva. Logo de inicio, Machado de Assis adverte o leitor sobre esta breve história de amor, deixando ao gosto de quem quer seja, uma curiosidade peculiar a respeito desta obra, mas narra ser uma trama pequena, com objetivo de esboçar um desenho sobre a personagem “Guiomar”, traçando um estilo feminista e romântico da mesma, abaixo segue o texto de advertência.

Advertência de 1874

Esta novela, sujeita às urgências da publicação diária, saiu das mãos do autor
capítulo a capítulo, sendo natural que a narração e o estilo padecessem com esse método de composição, um pouco fora dos hábitos do autor. Se a escrevera em outras condições, dera-lhe desenvolvimento maior, e algum colorido mais aos caracteres, que aí ficam esboçados. Convém dizer que o desenho de tais caracteres, — o de Guiomar, sobretudo, — foi o meu objeto principal, senão exclusivo, servindo-me a ação apenas de tela em que lancei os contornos dos perfis. Incompletos embora terão eles saído naturais e verdadeiros?
Mas talvez estou eu a dar proporções muito graves a uma coisa de tão pequeno tomo. O que aí vai são umas poucas páginas que o leitor esgotará de um trago, se elas lhe aguçarem a curiosidade, ou se lhe sobrar alguma hora que absolutamente não possa empregar em outra coisa, — mais bela ou mais útil.

Novembro de 1874 – M. de A.

O escritor apresenta uma narração entre Estevão e Luís Alves, estudantes de direito, amigos e acabam sendo confidentes, Estevão demonstra ser um rapaz melancólico, desesperado por achar uma moça chamada Guiomar, o mesmo se apaixona, declarando-se abertamente, sem ao menos ter a percepção se a recíproca dos sentimentos é verdadeira. Guiomar uma moça de dezessete anos, mas com traços de personalidade forte, um olhar que desencanta uma ambição lisonjeira, sente uma repulsa aos sentimentos, acometida pelo reclamante, onde devaneia uma paixão voraz, trás ao núcleo da razão o infortúnio de Estevão, declarando que o mesmo esqueça o episódio e segue sua vida.

Estevão não consegue esquecer tal mulher, confidencia ao amigo seu sofrimento, Luís Alves aconselha a esquecer do episódio, e acometer-se nos livros, a fim de se formar e seguir a vida adiante. Luís Alves, conforme narração do escritor trata-se de um homem prático, ambicioso, mas com caráter e sensibilidade de justiça, fica comovido pelo amigo, mas com sua praticidade, infunde novas ideias à Estevão, aconselhando a esquecer este suposto “amor” juvenil, encarar a realidade e seguir adiante, essa trama realiza-se no Rio de Janeiro, em Botafogo, onde Estevão está de partida para São Paulo, a fim de concluir seus estudos e se formar em Direito.

Retornando de São Paulo, Estevão visita o amigo Luis Alves, e reencontram ao pé da cerca, separando as duas propriedades, nada menos, que a senhorita Guiomar, andando pelo quintal da casa ao lado. Isto reacende a paixão de Estevão, Guiomar mora com a tia dona Baronesa e a governanta Mrs. Oswald e um sobrinho da Baronesa que aparece de vez em quando para visitar a tia, senhor Jorge, a Baronesa cuida de Guiomar como se fosse uma filha, visto que perderá sua filha e Guiomar assumirá tal lugar com muito apreço e modéstia, nessa trama Machado de Assis discorre um segundo concorrente ao coração de Guiomar, o sobrinho da Baronesa acaba se interessando pela mesma, a fim de enviar uma carta de declaração de seus sentimentos, pela moça pretendida. Guiomar sente-se aflita, visto que sua madrinha tem muito apreço por Jorge, mas seu coração segue caminhos tortuosos, onde não vê em Jorge o companheiro para sua vida, muito menos em Estevão a garantia de sua felicidade.

Simplesmente amarrando a trama, aparece o terceiro e último pretendente, o doutor Luis Alves se declara para Guiomar, demonstrando um amor seguro e ambicioso, mas com um cuidado merecedor de justiça e demonstração de segurança, sem rodeios e devaneios melancólicos sobre paixão e amor. Guiomar sente receio ao escolher seu pretendente, aparentemente Machado de Assis nos deixa com a impressão que ela escolherá Jorge, mas a trama discorre e o sortudo acaba sendo Luis Alves, uma escolha mais óbvia, é claro.

Minha opinião!

O livro discorre uma trama amorosa, enfatizando um brilho de personalidade feminina, que para a época, não seria muito comum, mas em nosso tempo, percebemos logo, como será o final desta história. O enredo é simpatizante, e nos faz repensar sobre a construção de uma obra literária, visto que seus próximos livros são muito mais surpreendentes.

 

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